Acho que não devia estar no blog, não agora, acho que não devia falar de você, nunca, mas estou. Tudo o que sei, de você, apesar de conhecer o toque de sua mão como papel de seda, é que nunca te conheci, realmente, nunca cheguei perto de conhecer a pessoa, a alma, e que quando finalmente cheguei na idade em que seria capaz de fazê-lo, já não restara muito. Sei que você casou com um homem fantástico, mas todo mundo sempre te pintou como vilã, mas como pode, então, ser capaz de ter-se casado com um homem daqueles, um homem bom, um homem gentil, um homem amável, atencioso, dedicado? Era ele a máscara ou era tua, a máscara, de ruim, tentando esconder alguma coisa? Quem era você? Quais eram seus sonhos? Quais eram seus medos?
E o que eu lembro, além dos seus pés apoiados no banquinho verde, as pintas nas suas mãos gastas, o seu cabelo de algodão, dos seus olhos (que foram ficando cada vez mais cinzas e diluídos, até que um dia eu não conseguia mais olhar), é da sua voz (que eu nem lembro, então das suas palavras): "eu quero morrer".
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