terça-feira, 2 de agosto de 2011

I

Fingimos que ninguém morreu, mas não é bem assim. Às vezes me pego colhendo cacos, trancando a porta da cozinha, passando as mãos pelas rugas que corroem a carne, desviando tudo dos olhos vazios e azuis.

Quando abro a janela, e quando fecho os olhos, ou quando - qualquer coisa -, crio uma fantasia nova que nunca envolve cadáver algum, que não o meu (ocasionalmente, até, porque ultimamente andei vivendo música demais), mas a realidade chama.

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