quinta-feira, 25 de novembro de 2010

esses dias

me peguei pensando. Não é tanto sobre a aparência quanto é por todo o resto - todas as coisas a se destruir. E, sei lá. É sempre sobre ter menos a odiar. Andei revirando gavetas e jogando coisas fora.

Sabe o que se foi? Minha memória. Tão falha antes. E agora não lembro de nada, de mais nada. Passei o ano fazendo... O que? O que fiz ano passado? Que músicas tocaram no rádio? Que filmes vi no cinema? Como eu seguia em frente (e aqui lembro da voz do meu primo, clara como o dia, "Mas como você conseguia, você não ficava...?" , e é claro que eu ficava, mas você sabe, você vê, você entende, simplesmente não importava, e eu queria morrer mas isso me mantinha viva, sabia)? Como eu tinha entusiasmo, força, cegueira? Como eu gritava, alto, por que, o que eu pensava?

Sabe do que lembro? De flashes e números, sussurros e acusações, lágrimas amargas em frente ao desespero alheio. De pílulas e a corda - tec 1 tec 2 tec (...) 60 tec - e o sangue. Do cansaço e da sensação de tocar, afundar, moldar com a ponta dos dedos, memorizar e seguir baseada no êxtase. Não foi sério, claro que não. Mas foi. E depois, bem, depois nunca mais. Foi só uma evolução, uma fase, o menos ao invés do mais.

Me encontro na encruzilhada. O mais ou o menos. Aquele lugar horrível, onde tudo é 'normal', tudo é o 'suficiente', e, ah, ao mesmo tempo, ao mesmo tempo é demais, e é de menos, e tudo dói.

Me lembro de flashes. Tudo virou flashes, de alguma maneira. Os sonhos, o passado, o futuro, o presente. Tudo em flash flash flash. Como diria Chuck, encarnando Shannon,
flash!
lágrima
flash flash flash!
olhe só, olhe lá,
flash flash flash!
que patética, patéticamente patética!
flash!
de ses pe ro

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