{"Se eu pudesse descrever, provavelmente usaria adjetivos demais, substantivos de menos e verbos comedidademente.
E então você sorriria, porque aquilo teria sido exatamente o que você tinha esperado de mim, e eu devolveria o sorriso, meio insegura, meio confiante, meio que totalmente sua.
Então brincariamos e trocariamos palavras inocentes, você me beijaria na bochecha ou na testa e me deixaria sozinha.
Eu observaria seus ombros largos através da minha janela manchada e voltaria para os dedos gelados que sempre estão tremendo, meio que ansiosos por alguma coisa.
E seria mais ou menos nesse ponto em que os adjetivos começariam à perder aquele tom que era quase seu e ganhariam um outro tom, um tom manchado e sempre tão... Tão abstrato e cruel que me faria engasgar diante minhas próprias palavras.
Mas o pior seria saber que nem era crueldade sua por me deixar, afinal, eu nunca falei nada, não é?
As cortinas balançam suavemente contra a janela e fecho os olhos... Quase chamo seu nome."}
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